Alberto Correia Tabuaço - Roteiro Turístico
HISTÓRIA
Foral: n/c / Pelourinho: n/c
/ Densidade: 24,2 hab./km²
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O povoamento de
Pinheiros é assaz antigo conforme o atesta o
Santuário Rupestre do Cabeço das Pombas. Na
Idade Média terá feito parte do Couto de Leomil,
tal como a maior parte das freguesias da margem
direita do rio Tedo.
Em termos eclesiásticos foi sua sede paroquial,
durante a Idade Média, a igreja de Santa Maria
do Sabroso.
No que concerne ao seu topónimo, Pinheiros
advirá, segundo Almeida Fernandes, do latino «pinu»,
que provém precisamente de pinheiro, de pinhal.
Todavia, Viterbo, no seu Santuario Mariano, de
finais do séc. XVII ou inícios do seguinte,
alude a uma povoação e paróquia com o nome de
Tabuelo, e que identificava, nessa época, como
sendo Pinheiros. Provavelmente, aquela alusão
referir-se-ia ao templo e extinta povoação que
hoje conhecemos como Sabroso e que naquela época
ainda desempenhava a função de paroquial de
Pinheiros e de Carrazedo.
Nesse sentido, o cura era obrigado a deslocar-se
àquele templo, distante do povo, para celebrar
os ofícios, administrar os sacramentos e
presidir aos demais actos de culto.
Por outro lado, segundo Gonçalves da Costa, o
orago da antiga ermida de Santa Eufémia, sugere
a existência de um núcleo de culto cristão
anterior à invasão muçulmana.
D. Manuel I outorgou foral ao concelho de
«Pinheiro» (Pinheiros, do actual concelho de
Tabuaço), em 13 de Julho de 1514, o qual, no que
concerne à Pena de Armas remetia para o foral de
Lamego.
Em 1527, no Cadastro do Reyno, Pinheiros aparece
como concelho, contando com 25 fogos
habitacionais, distribuídos pelas povoações de
Pinheiros (15 fogos) e de Carrazedo (10 fogos),
tendo o seu termo “em comprido mea legoa e de
larguo huum terço de legoa”, e partindo e
confrontando com o termo de «Gojim» e com o
”Comcelho de gramja de tedo e com o Comcelho de
chavões e de barqueiros” (Barcos).
Pinheiros é dada, no ano de 1537, como
pertencendo a António Pereira, posto que seria
Honra, além de concelho.
Ainda em termos de referências eclesiásticas,
aparece, curiosamente, no Censual da Sé de
Lamego, do 2.º quartel do séc. XVI, a referência
a uma vigararia de Pinheiro como sendo da
apresentação Real, e que, segundo Almeida
Fernandes, apenas pode ser tomada como a
vigararia da igreja da Senhora do Sabroso, sede
paroquial, à época, de Pinheiros e de Carrazedo.
Mais tarde, no ano de 1704, os curas Manuel
Gouveia Nunes da Fonseca e Manuel Correia Rebelo
terão assinado um «auto de obrigação» para
poderem ter o Santíssimo na capela de Santa
Eufémia.
Depois de 1708, o Visitador da diocese decide
mudar a sede paroquial para dentro do povo,
devendo, para esse fim, ser reconstruída e
ampliada a antiga ermida de Santa Eufémia, que
passaria a ser a padroeira.
Pela mesma época, segundo o Pe. Carvalho da
Costa, a paróquia de Nossa Senhora da Conceição
de Pinheiro, ainda com sede na igreja do Sabroso,
é dada como sendo uma anexa da Reitoria da
Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Barcos,
sendo o seu cura apresentado pelo reitor de
Barcos.
Já em 1719, ter-se-ão dado por concluídas as
obras de reconstrução e ampliação da antiga
ermida medieval de Santa Eufémia, anteriormente
promovidas pelos curas Manuel Gouveia Nunes da
Fonseca e Manuel Correia Rebelo, conforme o
indica a gravação desta data no dintel do portal
principal.
Nas respectivas memórias paroquiais estes dados
são confirmados pelo respectivo pároco, o Cura
Manuel da Cruz, designadamente o facto de ser
vila, sede de concelho e honra, pertença do
Infantado, mais propriamente do Infante D.
Pedro, sendo o seu governo civil constituído por
Juiz Ordinário e respectiva câmara.
Provavelmente teria ainda um Escrivão da Câmara,
um Procurador do Concelho e uma Companhia de
Ordenanças com respectivo Capitão.
Curiosamente também refere a existência de uma
antiga Torre, hoje em ruínas, que teria
pertencido ao 2.º Marquês de Castelo Rodrigo, D.
Manuel de Moura Corte Real, que também era Conde
de São Cosmado e Senhor de Pinheiros. Segundo
rezam as crónicas, D. Filipe III de Portugal
terá feito mercê do Senhorio de Pinheiros ao 2.º
Marquês de Castelo Rodrigo.
Com a aclamação de D. João IV, o Senhor de
Pinheiros, segundo o Cura Manuel da Cruz,
ter-se-á retirado para Castela, tendo sido
privado das suas rendas bem como proibido o seu
ingresso no Paço Real, e aos seus descendentes
até à quarta geração.
O mesmo pároco escreve, também, que já no
reinado de D. João V, por licença real, chegou a
tomar conta da Honra de Pinheiros, e das suas
rendas, um descendente do Marquês de Castelo
Rodrigo. Todavia, achando-se o novo Senhor de
Pinheiros devedor de grande soma em dinheiro à
Casa Real Portuguesa, D. João V privou-o das
rendas da Honra de Pinheiros, passando esta, já
no reinado de D. José, para a Casa do Infantado.
Segundo Almeida Fernandes, a referida torre
poderá ser anterior ao reinado de D. Dinis,
embora não apareça referida nas respectivas
inquirições.
O concelho de “Pinheiro” ou Pinheiros, com uma
única freguesia de Santa Eufémia, contava em
1828 um total de 106 fogos e 350 habitantes,
tendo sido extinto em 6 de Novembro de 1836,
passando a sua freguesia (com os dois lugares,
Pinheiros e Carrazedo), ao que parece, para o
concelho de Tabuaço.
Infelizmente, no que concerne aos imóveis onde
se processava a antiga vida municipal
aparentemente nada resta, nem o próprio
Pelourinho de Pinheiros, que terá sido
desmantelado em data desconhecida.
Pinheiros possui diversos sítios com interesse
arqueológico, nomeadamente as Gravuras Rupestres
do Cabeço das Pombas, a Villa romana de Eirinha
do Paço e as Ruínas da Torre de Pinheiros.
Relativamente ao seu património cultural, é
possível visitar a Igreja Matriz de Pinheiros,
com a sua arquitectura maneirista e barroca,
onde no seu interior se podem admirar bons
retábulos de talha dourada e policroma de
transição do denominado estilo barroco nacional
para o joanino, excelentemente restaurados. O
tecto da capela-mor conserva os seus caixotões,
recentemente restaurados, permitindo novamente
observar as representações de alguns Santos.
Dois raros frescos maneiristas persistem nos
panos interiores da capela-mor.
Pode ainda subir ao monte que se situa a Norte,
sobranceiro à povoação, e orar na Capela de
Santa Bárbara. Se preferir, descanse um pouco
nos degraus do Cruzeiro de Pinheiros, na Praça
Ageu Fonseca Moreira. O visitante pode ainda
admirar as construções habitacionais com seus
patins em granito, e que se implantam em torno
do Adro e em diversas ruas do centro da
povoação.
Fonte: Site da câmara Municipal de Tabuaço
ORIGENS TOPONÍMICAS
Dados Bibliográficos:
A. Almeida
Fernandes
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Pinheiro:
Per., Táv. Pinheiros: Pinh. Derivados
Pinh-al e Pinh-eiro(s). O étimo é o lat.
pinu- «o pinheiro». «Do subst. masc.
pinhal» e «do subst. masc. pinheiro –
diz DO-3, p. 1178: mas não pode ser,
porque o topónimo, certamente, é
anterior a essas formas e antes delas
houve outras: assim, *pinariu- > pieiro
> «pieiro» (e analogamente *pinale-> «pial»),
sendo caso para perguntar qual delas
originou estes topónimos. E o costume
invariável do autor de dar formas de
agora para origem das de outrora, porque
tais topónimos aparecem já antes do séc.
XII, como 1013 (?) Pinario DC 222.
ARQUEOLOGIA
Dados Bibliográficos:
Tabuaço - Um Passado Presente
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Da freguesia de Pinheiros são, desde há
muito conhecidas, as gravuras do Cabeço
das Pombas constituindo um dos pontos de
maior interesse para quem se dedica ao
estudo deste tipo de manifestações
artísticas. Representam não só um valor
inquestionável para a comunidade
científica do nosso país, como são
também um legado cultural para as gentes
desta terra. As gravuras rupestres do
Cabeço das Pombas concebidas como um
“altar” e sacralizando aquele espaço,
ficaram expostas aos olhares de diversas
gerações que por ali passaram,
constituíndo por si só uma ponte entre
as gerações do passado e do presente. Se
aquela manifestação artístico-religiosa
foi concebida para ser vista e adorada,
ela tem conseguido os seus objectivos.
Serviu no passado, serve o presente e
servirá, concerteza, o futuro.
Ainda no seguimento da prospecção
realizada nesta freguesia, foi
descoberta uma outra estação
arqueológica, desta feita romana, no
local conhecido como Eirinha do Paço.
Da freguesia de Pinheiros são, desde há
muito conhecidas, as gravuras do Cabeço
das Pombas constituindo um dos pontos de
maior interesse para quem se dedica ao
estudo deste tipo de manifestações
artísticas. Representam não só um valor
inquestionável para a comunidade
científica do nosso país, como são
também um legado cultural para as gentes
desta terra. As gravuras rupestres do
Cabeço das Pombas concebidas como um
“altar” e sacralizando aquele espaço,
ficaram expostas aos olhares de diversas
gerações que por ali passaram,
constituindo por si só uma ponte entre
as gerações do passado e do presente. Se
aquela manifestação artístico-religiosa
foi concebida para ser vista e adorada,
ela tem conseguido os seus objectivos.
Serviu no passado, serve o presente e
servirá, concerteza, o futuro.
Ainda no seguimento da prospecção
realizada nesta freguesia, foi
descoberta uma outra estação
arqueológica, desta feita romana, no
local conhecido como Eirinha do Paço.
Nome da Estação:
Cabeço das Pombas.
Tipo de estação: Gravuras Rupestres.
Período atribuível: Idade do
Bronze?.
Localização: Lugar – Pinheiro;
Topónimo – Cabeço das Pombas.
Coordenadas geográficas: 41º 05' 54"
Lat. N.; 01º 32' 26" Long. E. Lx.; 650 m
Alt.; C.M.P. 1:25.000, flª.138, Armamar,
2ª edição, 1985.
Descrição: O
Cabeço das Pombas, como é localmente
conhecido, é um promontório granítico
que, por si só, assume na paisagem uma
posição ímpar.
Uma das faces deste afloramento foi, há
muito, aproveitada para a gravação de
figuras que, deste modo, sacralizaram
todo este espaço, tornando-o num local
público e com uma conotação
simbólico-religiosa.
Efectivamente, um conjunto de motivos
gravados atesta a importância deste laca
como lugar de culto.
Alguns dos motivos patentes são muito
pouco comuns, ou mesmo iriéditos, nc
contexto das rochas gravadas do Noroeste
peninsular.
Ao centro do painel encontra-se um
grande ramiforme (com 0,83 cm de
comprimento máximo). Ao centro desse
ramiforme, encontra-se gravada uma cara
que, conjuntamente com uma outra de que
adiante falaremos, terão uma cronologia
mais recente.
À direita desta figura (virado de frente
para a rocha), e numa zona posterior,
encontra-se um conjunto de oito figuras.
No topo deste encontra-se uma figura
solar (esteliforme), composta por doze
linhas sinuosas, dispostas radialmente.
Sob este motivo está uma figura composta
por dez linhas sinuosas com as
extremidades dispostas paralelamente,
tendo o mesmo ponto de origem. Associada
a este motivo pode-se observar uma
figura em forma de “garfo” com três
dentes, ladeada por um pequeno círculo.
Na zona inferior encontra-se ainda um
interessante motivo composto por quinze
curtos e fundos sulcos, formando uma
linha recta que curva numa das
extremidades. A ladear este último
encontra-se um motivo em U ligeiramente
invertido.
Sensivelmente ao centro deste conjunto,
encontra-se uma cara que, juntamente com
a cara gravada no centro do ramiforme,
deve pertencer a um período posterior,
talvez da Idade do Ferro ou mesmo
posterior. Ainda neste conjunto e à
direita, está inscrita a sigla “IPRM”.
À esquerda do ramiforme central, e
também numa zona posterior, encontra-se
um conjunto de três figuras abstractas
compostas, grosso modo, por linhas
sinuosas e círculos.
Sob estas figuras, a 1,37 m de
distância, encontra-se um conjunto de
linhas que parecem representar letras
cujo significado nos escapa.
Em termos gerais, os motivos
representados assumem um forte valor
simbólico, transformando este sítio num
local de culto. Há que sublinhar o facto
de as figuras se agruparem por conjuntos
gravadas em diferentes momentos.
Os motivos mais antigos parecem ser o
ramiforme central e o conjunto da
direita do painel com excepção da
representação da cara, podendo, numa
primeira análise, integrarem-se numa
etapa do Calcolítico/Idade do Bronze.
A um momento mais tardio, talvez a Idade
do Ferro, pertencerão as caras. Da época
histórica serão as letras e a sigla IPRM.
A cronologia dos restantes motivos é
incerta.
Quando abordamos temáticas relacionadas
com manifestações artísticas, não
podemos nem devemos procurar o
significado dos motivos representados.
Estes guardam mistérios inexpugnáveis
cuja lógica esteve presente ao longo de
séculos.
Contudo, somos tentados a “interpretar”
o conjunto de motivos localizados à
direita do ramiforme. Efectivamente,
parece-nos que as figuras representadas
estarão relacionadas com algum acto
cerimonial. Assim, neste conjunto
podemos observar duas prováveis fúrculas,
uma pinça ou tenaz, um aro que poderá
representar um recipiente e o motivo com
maiores dimensões parecendo ser a
representação de labaredas. Estes
objectos encontram-se igualmente
documentados nos registos arqueológicos,
normalmente conotados com cerimónias
realizadas no interior de povoados.
Nos terrenos adjacentes ao cabeço
granítico, é possível observarem-se
alguns fragmentos cerâmicas manuais que
poderão relacionar-se com o santuário.
Acessos: À entrada da aldeia de
Pinheiros. Encontra-se sinalizada.
Bibliografia: CORREIA, 1997: 40.
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Nome da Estação: Eirinha do Paço.
Tipo de estação: Villa.
Período atribuível: Romano.
Localização: Lugar – Pinheiros; Topónimo –
Eirinha do Paço.
Coordenadas geográficas: 41º 05' 54"
Lat. N.; 01º 31' 14" Long. E. Lx.; 650 m
Alt.; C.M.P.1:25.000, flª. 138, Armamar,
2ª edição, 1985.
Descrição: O assentamento romano da
Eirinha do Monte tem uma localização
invulgar. Ao contrário da maioria das
estações romanas, esta não ocupa a
vertente soalheira.
Os vestígios distribuem-se por pequenas
plataformas encaixadas no meio de
afloramentos graníticos.
Contudo, pode ter sido um local que teve
alguma importância. De facto, foi-nos
permitido observar algumas pedras
almofadadas de grandes dimensões que
podem ter pertencido a um edifício com
alguma monumentalidade. Num outro muro,
foram detectadas duas soleiras, de
grandes dimensões, pertencentes a
estruturas habitacionais hoje enterradas
ou destruídas. Ainda que não seja um
achado muito raro, não é de todo vulgar
encontrar tais materiais em pequenos
assentamentos romanos.
Nos terrenos envolventes foram
detectados alguns vestígios cerâmicas,
na maioria cerâmica de construção, mas
foram igualmente recolhidos alguns
fragmentos de cerâmica comum e um
fragmento de uma taça em terra sigillata.
A densa vegetação envolvente não
permitiu uma prospecção de campo mais
intensa.
A monografia de Pinheiros, escrita por
Amâncio Manuel Moreira da Silva, dá-nos
mais algumas informações sobre este
local. Entre a densa vegetação, que
actualmente envolve o sítio, parece
existir um antigo lagar de tipologia
idêntica a outros já identificados no
concelho.
Nesta obra não publicada, fala-nos
também o autor da existência de um
penedo, um “possível altar sacrificial
ou forca”. A sua função pode ter sido
bem diferente, quiçá outro lagar de
dimensões um pouco mais reduzidas.
Lembramos que na freguesia de Barcos o
sítio popularmente conhecido como
“Forca”, não é mais do que um lagar
escavado na rocha.
Segundo informações orais, foi ainda
identificada neste local uma pedra com
letras que, após ter sido recolhida pela
junta de freguesia local, se extraviou
misteriosamente.
Acessos: Quando se entra em Pinheiros
vindo de Barcos, corta-se à esquerda por
um caminho de terra batida.
Bibliografia: SILVA, s. d. : 7-9;
MONTEIRO, 1991: 438.
PATRIMÓNIO
Dados Bibliográficos: Site da Câmara de
Tabuaço
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ARQUEOLOGIA:
- Gravuras Rupestres do Cabeço das
Pombas
- Villa romana de Eirinha do Paço
- Ruínas da Torre de Pinheiros
IMÓVEIS COM INTERESSE ARQUITECTÓNICO:
- Igreja matriz
de Pinheiros / Igreja de Santa
Eufémia
- Capela de Santa Bárbara, em
Pinheiros
- Cruzeiro de Pinheiros, sito na
Praça Ageu Fonseca Moreira, em
Pinheiros
- Conjunto de casas seiscentistas e
setecentistas no Largo do Adro, em
Pinheiros