Aldeia Anterior I Próxima Aldeia
___________________________________________________________________________________________________________________________________________

"Aldeias Históricas"

TÁVORA
Habitantes: 420 /   Área (ha): 698   Distância de Tabuaço: 4.5 km

___________________________________________________________________________________________________________________________________________
 PRINCIPAL 
l   PASSEIO  l   HISTÓRIA  l  TOPONÍMIA   l  arqueologia 
património  l  IMÓVEIS COM INTERESSE  l   MEMÓRIAS PAROQUIAIS

 

«Raparigas que, empoleiradas
em cima das cerejeiras,
colhem alegremente (mas com cuidado)
os belos e preciosos frutinhos.” »
 

 

 

Távora é totalmente voltada para a agricultura, produz vinho, azeite, cereja, figos, maças e abrunhos. O Tabuacense de 27 de Maio de 1907 refere-se a qualidade e grande produção de cereja de Távora e cita o seguinte: “… graças ao desembaraço das raparigas que, empoleiradas em cima das cerejeiras, colhem alegremente (mas com cuidado) os belos e preciosos frutinhos.”

 

 

É uma importante localidade do concelho, por sua significante história. Sua toponímia aponta para o local onde se fixaram os Távora com seu poder e senhorio para com as 40 famílias que se registam  no ano de 1527.

 

 Os nobres Távora viviam num palácio – de que se diz terem os habitantes levado as pedras (do primitivo lugar), e tiveram a trágica sorte de serem perseguidos e mortos por Marques de Pombal. Foram os Távora descendentes dos lendários irmãos D. Thedon e D. Rousendo. Este tema envolve os apaixonados relatos dos descendentes de D. Ramiro II, Rei de Leão. Esses dois fidalgos D. Thedon e D. Rousendo guardam intrigantes façanhas varonis. A lenda conta que eram ardorosos adversários dos mouros e que travaram lutas homéricas nas margens do rio que Tedo e Távora. Mas bem cita Luiz de Freitas: "Não é, pois, crível que os dois irmãos, com pouca gente de guerra, se sustentassem mais de três décadas em acesa luta com os sarracenos, em terras encravadas no reino destes. Se efetivamente por lá estancearam nesta época, viveram em paz com os seus vizinhos agarenos como bons e sossegados mozarabes".

 

Távora recebeu foral por D. Manuel I e o concelho foi extinto em 1836 pelo liberalismo. Já nesse tempo se regisravam 105 famílias.

 

Távora teve tribunal (Casa da Torre), cadeia, pelourinho, depois capitão e uma companhia de ordenança. A igreja é setecentista e levantada nos alicerces de um templo antigo de origem incerta.

 

Existe uma linda ponte chamada “Ponte do Fumo” que liga históricamente Távora à freguesia de Pereiro e é voz corrente que a ponte está assente por sobre minério de uma mina de estanho que por lá existiu. No Romance Histórico “Ressurreição dos Mortos” de Sousa Costa, um curioso penhasco é citado pelo nome de “Calfão”. Guerra Junqueira refere-se a epopeia do Alto Douro. Foi ali que objectos e vestígios que evidenciam o tempo do homem do Castro nesta região. São evidentes as sepulturas nas rochas e de que ali realmente teria existido um castro. Ali foi também levantada uma ermida de culto desconhecido. Dizem também que o recinto foi palco de enorme zaragata e toda sorte de desordeiros. Hoje um belo local para se visitar e reflectir. 

 

Gisele Camacho Aznar Neves